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Communicatheo.com tem o prazer de disponibilizar aos nossos utilizadores o trabalho “Prolegómenos”, constituído por três partes, da autoria do professor e investigador da UNAM, no México, doutor Gilberto Giménez. “Prolegómeno” é, por definição, uma introdução que precede uma obra e recolhe os fundamentos gerais do tema em questão. Neste caso, a cultura. Recomendamos a sua leitura a estudantes já formados e também aos que se estão a formar, das mais variadas àreas das ciências sociais, em particular, os que trabalhem e investiguem através da perspectiva da comunicologia. Não editámos, não corrigimos, não mudámos nada na linguagem do professor Giménez, apenas dividimos o trabalho em três partes, de modo a facilitar a leitura e a cativar o interesse dos nossos utilizadores. A primeira parte, à qual demos o nome de “Prolegómenos: Primeira Parte”, inclui dois capítulos. O primeiro, “A cultura na tradição filosófico-literária e no discurso social comum”, e o segundo, “A cultura na tradição antropológica”.

Extracto:

PROLEGÓMENOS

I. A CULTURA NA TRADIÇÃO FILOSÓFICO-LITERÁRIA E NO DISCURSO SOCIAL COMUM

Dr. Gilberto Giménez Montiel*

1. Um obstáculo persistente: a polivalência do termo.

O investigador que se dispõe a explorar o território da cultura nas ciências sociais depara-se, desde logo, com um sério obstáculo: a imensa diversidade de significados, que ameaça, à partida, qualquer tentativa de apreensão sistemática ou concepção rigorosa.

Escreveram-se livros inteiros sobre esta polivalência semântica, e sobre a querela de definições que acompanharam incessantemente a história da formação deste conceito, inclusivé depois da sua incorporação no léxico da Filosofia e das ciências sociais.(1)

Uma dificuldade acrescida deriva ainda do facto de que, tanto no campo da filosofia como no das ciências sociais, o conceito de cultura faz parte de uma família de conceitos totalizantes, intimamente ligados entre si pela sua finalidade comum, a apreensão dos processos simbólicos da sociedade, e por esta razão, acabam por se recobrir, total ou parcialmente, as ideologias, mentalidades, representações sociais, imaginário social, doxa, hegemonia, etc. Daqui origina também um problema ao nível da delimitação de fronteiras e homologação de significados, algo que também já fez correr rios de tinta.(2)

Uma primeira maneira de reduzir drásticamente a margem de indeterminação semântica do(s) termo(s) de que nos ocupamos, seria reter apenas os conceitos construidos pela Sociologia e Antropologia, descartando assim, sistemáticamente, a variedade de sentidos conferidos pela tradição filosófico-literária e pelo discurso social comum.

Mas na verdade, ocorre que, nas àreas da Sociologia e da Antropologia, que supostamente trabalham com conceitos criados em função de paradigmas teóricos muito precisos, a cultura é e continua a ser objecto de definições diversas, mediante os interesses teóricos e metodológicos que estejam em jogo.(3)

Esta situação impõe-nos uma dupla tarefa: por um lado, uma nova revisão crítica do estatuto teórico do conceito de cultura nas principais correntes ou tradições antropológicas e sociológicas; e por outro, a proposta de um conceito de cultura que responda às exigências epistemológicas de coerência e homogeneidade semântica, para que de vez fique vinculado à prática científica, de forma a poder gerar um relativo consenso entre os académicos das ciências sociais. Esta dupla tarefa será o objectivo específico deste capítulo introdutório.

(1) Ver, entre outros, A.. L. Kroeber, Culture. A critical review of concepts and definitions, Vintage Books, Random House, Nueva York, 1965; Philipe Beneton, Histoire de mots: culture et civilisation, Presses de la Fondation Nationale de Sciences  Politiques, París, 1975; Vários autores, Europäische Schlüsserwörter, t. III, Kultur und Zivilisation, Max Hueber, Munich, 1967; R. Williams, Culture and Society : 1780-1950, Columbia University Press, Nueva York, 1958. Versão actualizada desta revisão conceptual em: Jeffrey C. Alexander e Steven Seidman (eds.), Culture and Society, Cambridge University Press, Cambridge, 1990; e sobretudo em: William H. Sewell, Jr., “The Concept(s) of culture”, em Victoria E. Bonnel e Lynn Hunt (eds.), Beyond the Cultural Turn, University of California Press, Berkeley – Los Angeles –London, 1999, pp. 35 -61.

(2) Ver: Robert Fossaert, La société, volume 6, Les structures idéologiques, Seuil, Paris, 1983, pp. 495-500; Eunice R. Durham, “Cultura e ideología”, em Dados, Revista de Ciencias Sociais, vol. 27, número 1, 1984; Michel Vovelle, Idéologies et mentalités, Maspero, París, 1982.; Jean Starobinski, Le mot Civilization, em : Vários autores, Le temps de la réflexion, Gallimard, París, 1983, pp. 13-51.

(3)Pietro Rossi, Il concetto di cultura, Einaudi Editore, Turín, 1970; Hans Peter Thurn, Soziologie der Kultur, Verlag W. Kohlhamer, Stuttgart, 1976.

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*Gilberto Giménez Montiel é doutorado em Sociologia pela Sorbonne – Paris III, grau obtido em 1976. Antes, em 1950, licenciou-se em Filosofia, na Universidade de Comillas, em Espanha, e em Ciências Sociais, no Instituto de Scienze Sociali da Universidade Gregoriana de Roma, em 1956. Investigador Titular C no centro do Instituto de Pesquisas Sociais da UNAM, Gilberto destaca-se como membro do Sistema Nacional de Investigadores (SNI), da Associação Mexicana de Semiótica e da International Communication Association (ICA).

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Edición en papel digital EDW - ¿Qué es y qué no es prospectiva?

Edição em papel digital EDW -Prolegómenos, Primeira Parte (em Espanhol).

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Communicatheo recomenda para complementar a leitura:

O que é e o que não é uma prospectiva estratégica?

Developing a New Outlook on the Future

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Volunteer translation by Gonçalo M. Marques

Gonçalo M. Marques currently attends the University of Coimbra in Portugal and will graduate in Foreign Languages (English/Spanish) next summer 2010. He plans on pursuing a master´s degree in Translation. If you want to contact him for work, please write to: goncalommarques@hotmail.com

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