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A partir de diferentes fontes e notícias recentes de Inti Acevedo em LaInformación.com

Livros electrónicos: um simples jogo de mercado ou uma mudança de padrões culturais

Com cada vez mais frequência, poder-nos-íamos encontrar numa discussão sobre a sobrevivência da indústria editorial em papel, ou por outras palavras, do livro, e ouvir as gerações mais velhas discorrer sobre o cheiro e a inigualável sensação da textura das diferentes variedades de papel. Observam-se também os jovens a demonstrar que o livro não morreu, por força de êxitos recentes, dos quais a saga “Harry Potter” é um exemplo. Para mim é algo natural, próprio de uma transição que levará à morte do livro, nos seus padrões actuais, e que, certamente, se tornará um bem de luxo. É, quiçá, comparável ao que aconteceu com a fotografia a preto e branco. O meu palpite é que a transição demorará, mas chegará por motivos económicos, de espaço e de sustentabilidade ambiental. Os processos de mudança não são tão rápidos como se espera, mas estão, sem dúvida, a acelerar naquela zona do mundo onde o consumo representa 50% do PIB. Há muitos exemplos para as diferentes gerações de comunicadores/as, sejam editores, designers, jornalistas, publicitários, realizadores de cinema ou televisão, que têm vivido, sofrido e se têm adaptado a violentas mudanças nas suas tecnologias.

The front of the Kindle 1 (Left) and Kindle 2 (Right)

Kindle 1 (Left) e Kindle 2 (Right)

É mais fácil ver esta mudança ao analisá-la de forma prospectiva, e por isso, sistémica.
Passar desde a fotocomposição e a fotomecânica aos letreiros elaborados electrónicamente sem o uso do grude, da plumagem, ponteira, papel de capa, cartão ou letraset, que desapareceram junto a muitos outros produtos há apenas duas décadas; passar da televisão a preto e branco às telas OLED, representou uma constante e frequente onda de mudanças nos sistemas e equipamentos de captação, arquivo, edição, sinal e recepção; um processo acelerado e similar, diga-se exponencial, ao qual a indústria da impressão em papel tem sobrevivido quando, em muitos sítios, subsistem ainda, em pequenas oficinas, as impressões em linótipo.  Para quê falar da computação pessoal ou das suas capacidades de tratamento de informação ou telefonia.

Os processos de mudança não são tão rápidos como se espera, mas estão, sem dúvida, a acelerar naquela zona do mundo onde o consumo representa 50% do PIB.

Aparentemente, a diferença, em relação ao livro como o conhecemos, é visível e de peso, pois independentemente do seu processo de produção, o livro não é um produto da era moderna, mas sim algo que remonta quase às origens da humanidade. Se observarmos o esquema breve que o professor Fernando Lillo faz a partir de “Etimologias VI”, obra de Isidoro (arcebispo de Sevilha e um dos maiores intelectuais do início da Idade Média), notamos que o livro em si também sofreu algumas mudanças, desde o papiro: cartarum ausum primum Aegyptus ministravit…, o pergaminho: pergameni reges cum indigernt, membrana primi excogitaverunt…, as tábuas de cera: cerae litterarum materias…, o tomo ou volume: volumen liber est a volvendo dictus…, ou o códice:  codex multorum librorum est; poder-se-ão agregar outros, e atrevo-me ainda a assinalar o livro da era moderna, pelos seus processos e fins implícitos; interessa, para este ponto, observar a definição de Códice presente na Wikipédia: dá-se o nome de códice (do latim bloco de madeira, livro) a um documento com o formato dos livros modernos, de páginas separadas, unidas por uma costura e encadernadas. Ainda que, técnicamente, qualquer livro moderno seja um códice, o termo só se utiliza para manuscritos, elaborados no período que compreende o final da Antiguidade Clássica até ao início da Idade Média. Por outras palavras, o livro, como tal, susbsiste e vê o seu susbtrato modificado: com o fim da modernidade, chega o livro electrónico.

Por outras palavras, o livro, como tal, susbsiste e vê o seu susbtrato modificado: com o fim da modernidade, chega o livro electrónico.

A questão é que a firmeza quase genética do Códice e do livro moderno com a história humana é forte e de longa data, e portanto, vamos encontrar bastante mais resistência emocional, em parte por grupos de interesses, do que propriamente o uso da lógica nas avaliações desta eventual mudança. Ainda assim, espera-se que este processo de transição tenda a terminar rapidamente, se a massificação do livro electrónico através dos canais alternativos vier logo, permitindo, desta forma, economias estruturais e acções socioeconómicas e políticas adequadas para fazer chegar a melhor literatura a toda a população.

"Este es el año del libro electrónico en España. Este fin de año, este tipo de dispositivos será uno de los más buscados en las tiendas como regalo de Navidad o de Reyes. Los fabricantes y distribuidores lo saben y tendrán varios de ellos listos para esas fechas.  El Corte Inglés es uno de los grandes almacenes que ya ha empezado a distribuirlo, con un modelo propio, el Inves-Book 600". Extraído de Xataka.com.

"Este é o ano do livro electrónico em Espanha. No final do ano, este tipo de dispositivo será um dos mais procurados nas lojas, seja como prenda de Natal ou de Reis. Os fabricantes e distribuidores sabem-no, e terão vários modelos prontos para a época. O El Corte Inglés é um dos grandes armazéns que já começou a distribui-lo, com um modelo próprio, o "Inves-Book 600" -extraído de Xataka.com.

É também importante notar que esta verdadeira mudança de papel e substrato do livro corre em paralelo com a da imprensa escrita, uma indústria de 190 biliões de dólares americanos (aproximadamente 140 mil milhões de euros), que compreende mais de dois milhões de trabalhadores vinculados, segundo a Associação Mundial da Imprensa. Números que têm o peso específico necessário para desacelerar a inclusão dos meios no papel digital; e isso é, sem dúvida, parte do jogo no sistema. De qualquer das maneiras, a indústria editorial (de livros em papel) tem menos força, e à vista desarmada, uma cadeia de valor mais frágil e abrangente no mercado, ainda que se mostre como tendo a vantagem de possuir uma maior liberdade para se mover por entre as curvas da mudança e da adaptação.

É também importante notar que esta verdadeira mudança de papel e substrato do livro corre em paralelo com a da imprensa escrita, uma indústria de 190 biliões de dólares americanos, que compreende mais de dois milhões de trabalhadores vinculados, segundo a Associação Mundial da Imprensa.

A informação recolhida mostra que o livro electrónico aumenta o seu posicionamento e participação no mercado a cada dia, e torna-se mais apetitoso para que novos potenciais competidores da indústria dos meios (de comunicação) entrem na “guerra” por um mercado onde, até agora, apenas dois nomes fortes existiam: a Amazon e a Sony.

Neste novo jogo de competências e inclusão cultural, o recente contra-ataque da Sony  com as suas novas versões  Reader Pocket Edition e Reader Touch Edition,  com preços que se movem entre os 200 e os 300 dólares, e um custo reduzido em 17% para os “melhores” títulos, torna-os uma competição a ter conta para enfrentar o até agora indiscutível líder: o Kindle, da Amazon. Por esta altura, espera-se que, a curto prazo, a hegemonia que a Amazon  mantém no mercado dos e-books sofrerá alguma turbulência, com uma maior actividade dos agentes envolvidos e no desenvolvimento dos canais de distribuição dos livros electrónicos.

Esta hipótese, cujos (muitos) inconvenientes só serão observados à medida que o tempo for passando, apresentará uma função de acelerado crescimento apenas nos sectores mais inovadores e aceitantes da sociedade, e terá tendência para ser mais lento a chegar a sectores que misturem grupos de faixas etárias mais avançadas e economicamente desprezados. As novas elites da informação marcarão as brechas da futura desigualdade, a não ser que as economias emergentes impulsionem uma inclusão digital eficiente e transparente à população.

Mas qualquer que seja o caso a estudar, pode estimar-se, com segurança, que a curva desta inclusão digital, e portanto, dos livros electrónicos, terá uma forma côncava, própria de todos os ciclos de vida, e que será comparativamente lenta, frente à obsolescência tecnológica acelerada que está a provocar um buraco ou uma brecha de crescente desigualdade. Este é um juízo fácil de fazer, tendo em conta que já se conhecem os dados da utilização da Internet nos diferentes países, com distintos graus de desenvolvimento. Mas se olharmos para a Europa, 20 anos depois do aparecimento da Internet e do uso mais generalizado do PC, reparamos que esta curva não cobre, actualmente, pelo menos 33% e 25% da população, respectivamente. Um em cada três europeus nunca utilizou a Internet, e um em cada quatro nunca tão pouco mexeu num PC, segundo um estudo da União Europeia, recolhido pela BBC. O relatório, que analisa o panorama digital dos últimos cinco anos, constata, além disso, que mais de metade dos cidadãos europeus (56%) se tornaram regulares “navegadores” na rede (em 2004 totalizavam apenas um terço), e que 70% dos jovens com menos de 24 anos a ela acede todos os dias, e que, destes, um em cada três nunca pagaria nada pelo que quer que fosse, na rede. Esta é a faixa etária mais reticente a pagar por conteúdos descarregados online, como músicas ou vídeos. Destes, 33% assegura que nunca pagariam por nada. “Estes jovens usam a Internet com grande afinco e são, também, consumidores exigentes”, indicou à BBC, Viviane Reading, comissária da UE para a Sociedade da Informação, e continua: “Para liberar o potencial económico destes nativos digitais, devemos fazer com que o acesso aos conteúdos seja um jogo cómodo e justo”.

Por contraste, os menos activos na rede são os maiores de 65 anos e os desempregados, segundo o estudo.

(…) pode estimar-se, com segurança, que a curva desta inclusão digital, e portanto, dos livros electrónicos, terá uma forma côncava, própria de todos os ciclos de vida, e que será comparativamente lenta, frente à obsolescência tecnológica acelerada que está a provocar um buraco ou uma brecha de crescente desigualdade.

Os descrentes repelem a entrada dos livros electrónicos no mercado, mas estes somam e seguem nas suas vendas, e no nosso ponto de vista, seguirão um padrão semelhante a todos os processos de inovação nas comunicações desde os tempos do papiro até hoje, mais lentos os primeiros e mais rápidos os últimos, mas o comportamento destes passará primeiro por assentarem nos sectores inovadores, e demorará a sua popularização em função dos custos, políticas públicas e poder de compra, mas serão, sem dúvida, mais um elemento de aprofundamento, diferenciação e expansão no desenvolvimento da educação, informação, aprendizagem e entretenimento nas diferentes zonas do globo, e em cada ponto deste, entre os distintos grupos socioeconómicos dos territórios.

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Volunteer translation by Gonçalo M. Marques

Gonçalo M. Marques currently attends the University of Coimbra in Portugal and will graduate in Foreign Languages (English/Spanish) next summer 2010. He plans on pursuing a master´s degree in Translation. If you want to contact him for work, please write to: goncalommarques@hotmail.com

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